
Os seus lábios tremiam. Os seus olhos, arregalados e brancos, obrigavam todos os planos que o rodeavam a vacilar. As caras que o seguiam estavam imóveis, mas contorciam-se num último esgar gelado. Pairavam ao nível do seu olhar, impedindo-o de encontrar o horizonte, a saída, que de qualquer modo estaria ocultada pelo denso exército de árvores.
Estavam todos os seus músculos tensos e hirtos, as suas magras mãos suadas apertadas contra os ombros; o pescoço esticado talvez nos ajude a compara-lo a um animal assustado.
Toda a floresta estava silenciosa, animal nenhum ousava revelar a sua presença, o vento não se notava... O ar pairava pesado e húmido.
À medida que avançava na floresta, correndo desenfreadamente, respirando ofegantemente, as poucas luzes douradas que surgiam aqui e dali, entre as ramagens começavam-se a desvanecer... Os pulmões apertavam-lhe o peito, faltava-lhe o ar... A escuridão domina o espaço.
Inspira... Expira. A sua respiração ofegante ecoa.
Corre.
Uma mão humana agarra-lhe o tornozelo. Pára subitamente, caindo no chão. O bater do seu coração torna-se tão violento que se assemelha a uma melodia... A um canto agressivo e sedento de morte.
Um delírio selvático contamina todo o seu corpo, impulsionando-o à ânsia de sangue.
Segurando-o pelos cabelos, agarra bruscamente a cabeça de quem o atacou. E completamente às escuras, dá um rápido soco... no ar. Cai para trás, sentindo a exacta dor que sentiria quem fosse esmurrado, mas multiplicada por muito. O atacante foge rapidamente, deixando-o no chão. O sangue jorra dos seus lábios e do seu pescoço, manchando a sua pele suada e suja. O ritual terminara, as caras deixaram de o perseguir... O horizonte de árvores surge novamente, mas era tarde de mais, morreria em momentos. Mas mesmo assim, dos seus lábios ainda trémulos, notava-se um sorriso de extrema satisfação.









